Moro na cidade de Nova Lima, perto de Belo Horizonte e desde cedo já me sentia muito atraído pelo cinema, principalmente pelo filme fantástico, ficção científica e aventura. Meu primeiro contato com cinema aconteceu quando eu consegui comprar uma filmadora Super 8 muda e um projetor. Então comecei com brincadeiras e filmagens de pequenas sequências, sempre tentando levar a produção para o lado do fictício. Foram muitas camisas manchadas de tinta vermelha e muitos explosões feitas com polvora retiradas de rojões. Eram meus 14 anos. Então o Super 8 foi substituido pela filmadora de Vídeo. Depois de muito esforço comprei uma dessas e aí que percebi o quanto poderia fazer. Reunia os amigos para sempre tentar fazer alguma coisa. Eles só queriam se divertir e eu também, mas levava o que fazia a sério. Quando comprei meu primeiro computador, imediatamente começei a trabalhar com computação gráfica. Primeiro foi o Corel e Photoshop. De um pulo, me entreguei aos encantos do 3D Studio R1. Ficava maravilhado com aqueles cubos girando.

 

Fui evoluindo de versão até chegar no 3D Studio R4. Vários livros sobre ele já faziam parte da minha biblioteca. Estava conseguindo fazer coisas que eu nunca imaginava fazer. No entanto, ainda faltavam muitos detalhes que eu não sabia fazer com o 3D Studio R4. Fui pedir ajuda a uma pessoa que também trabalhava com ele para me ensinar como fazer os efeitos especiais utilizando as difíceis IPAS que se podia acrescentar ao R4. Foi quando fui apresentado ao 3D Studio Max. Achei o novo programa muito interativo, mas eu teria que "desaprender" tudo o que sabia sobre o R4. Depois de estudar o Max percebi que estava tudo igual. Realmente não havia diferença conceitual entre o R4 e o MAX. Somente uma mudança muito inteligente de interface. Desde então venho acompanhando a evolução desse programa, comprando livros, fazendo cursos e, principalmente, pesquisando na internet. Em um dado momento, percebi que eu não conseguia mais aprender. Tudo que existia em livros eu já sabia. Faltava alguma coisa... Eu me via de um lado da montanha, na beira de um precipício, tentando pular para o outro lado. Eu precisava de ajuda. Uma ajuda que me tirasse do conhecimento institucional e colocasse de vez no mundo prático. Assim eu poderia dar vasão à criatividade e produzir meus filmes. Procurei essa ajuda com as pessoas que eu considerava mestres em computação gráfica. A partir daí, novos horizonte se abriram para mim. Vi que o MAX era um excelente software, mas que não era o único. Vi que, apesar de considerar meu conhecimentos pequenos, aqueles que trabalhavam com os outros programas 3D, não sabiam nada dele. Foi uma grande troca de conhecimentos. Aprendi o PowerAnimator da Alias Wavefront e ensinava o MAX 4. Foi nessa época que vi pela primeira vez um novo programa chamado Maya. Ficava deslumbrado com seu poder, mas ele ainda não fazia certa coisas direito. Mesmo assim o estudei como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Trabalhava com o MAX e aprendia o MAYA. As versões foram evoluindo e hoje, o MAX na sua versão 2009 e o MAYA, na 2008, são meu softwares favoritos.

 

Depois de tanto conhecimento acumulado nesses últimos 10 anos sobre computação gráfica, senti que eu já estava pronto para produzir alguma coisa. Criei então "OS PREGOS". Esse curto desenho de 1 minuto e 30 segundos foi algo muito especial para mim. Depois de concluído, senti uma forte sensação de orgulho de mim mesmo, por ter conseguido fazer um filme sério e que poderia ser apresentado em concursos e festivais. Uma segunda versão desse mesmo desenho foi produzido para corrigir os defeitos que nele haviam. Ficou ainda melhor... Depois passamos a produzir um piloto 3D do personagem do Ziraldo, "O MENINO MALUQUINHO". Depois de muito trabalho o desenho ficou pronto, mas Ziraldo ainda não o havia aprovado. Me retirei da sociedade e a empresa tomou conta desse projeto sozinha. Trabalhando agora como free lancer, podia voltar às minhas produções e numa bela tarde tivemos, eu e minha namorada, a idéia de fazermos um desenho com animais, claramente inspirado em "Vida de Inseto", mas que tivesse sempre uma lição de moral no final. Foi assim que nasceu "A LAGARTA LARGADA" contando as aventura de Adelaide e Rhino. O resultado ficou tão bom que fomos convidados para um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil: A Mostra de Cinema de Tiradentes". Hoje, novas porta se abrem e novas produções estão a caminho. Para o ano de 2005, vamos produzir mais um capítulo de "OS PREGOS" e em 2007 concluimos "LUMIS, O VAGALUME". Já estamos em fase de produção de mais 2 curtas. Toda essa trajetória somente me motiva para continuar produzindo e levando um pouquinho de entretenimento às pessoas e de estar realizando um sonho perseguido desde criança: fazer cinema!